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Panelinhas ameaçam empresas e profissionais


Viver em grupos é praticamente condição inerente ao homem e foi característica fundamental para a construção das sociedades modernas da forma como estão configuradas atualmente. Tão natural quanto comer ou dormir, a socialização entre as pessoas é quase que um gesto automático. Algo que se dá em diversos planos e pode ser verificado também em micro ambientes, como em salas de aulas e escritórios. São diversos os motivos que levam as pessoas a se agrupar. No ambiente de trabalho, há quem fale em dificuldade de relacionamento com outras pessoas ou mesmo necessidade de segurança como razões que levariam profissionais a fechar-se em grupos. As chamadas "panelinhas" podem até ser naturais e reconfortantes, por outro lado, há casos em que elas causam problemas para aqueles que estão do lado de fora e que por isso se sentem excluídos.

"É comum ter um grupo de amigos dentro da empresa, pessoas com quem há maior afinidade. Entretanto, isso não pode impedir o profissional de ter contato com os demais colegas", alerta George Patrão, consultor de recursos humanos. "Os que fazem parte de grupos assim se fecham entre os participantes e excluem os demais", garante ele. Segundo José de Oliveira Franco, docente do curso de Gestão de Recursos Humanos da Unicid (Universidade Cidade de São Paulo), a formação desses grupos pode fazer o funcionário perder sua individualidade. "As panelas impedem que o colaborador se destaque, porque geralmente os gestores olham o grupo como um todo, sem prestar atenção em cada indivíduo", adverte Franco.

De acordo com Maria Fernanda Daidone Madrucci, gerente administrativa da Pan Chocolates, a primeira preocupação do funcionário deve ser com os objetivos da empresa, não com as amizades. "As amizades são conseqüências do contato com os colegas para o desenvolvimento das tarefas. Buscar um grupo fechado demonstra imaturidade", critica ela. Patrão acrescenta que ao fazer parte de uma panela, o colaborador perde a chance de conhecer pessoas que pensam de maneira diferente. "Os colaboradores precisam entender que apenas com a discordância é possível chegar a idéias mais bem elaboradas e, por isso, a diferença de opinião é positiva", diz ele. Patrão considera impossível haver bom desempenho numa empresa fechada em diversas panelinhas.

Insegurança no trabalho

Para entender uma dessas facetas negativas das panelinhas, basta checar o lado de fora delas. Ou seja, como se sentem aquelas pessoas que são excluídas do grupo. Depois de seis meses no departamento financeiro de uma empresa, a estudante do oitavo semestre de Administração Geral da Unicsul (Universidade Cruzeiro do Sul), Etiene Fátima Parra de Almeida, pediu demissão porque não agüentou a pressão que uma panela exercia contra ela. "No começo, as três mulheres que formavam o grupo achavam que eu não sabia fazer o trabalho. Mesmo quando os chefes passaram a me dar tarefas diferentes e bastante trabalho, elas passaram a comentar sobre qualquer atitude diferente que eu tivesse", lembra a estudante, que afirma não ter tido problemas de relacionamento com o restante dos colegas.

Mesmo depois de conversar com seu superior, Etiene continuou com problemas. "O grupo deixava claro que falavam mal de mim. Meu gerente, que sabia do caso e desaprovava a postura delas, chegou a pedir que eu tivesse mais paciência", diz ela. Etiene conta que a intenção do gerente era contratá-la. "Mas já estava no meu limite e não queria mais conviver com aquilo. Por isso, me demiti", recorda. Ela avalia que a atitude do grupo se deveu a medo. "Talvez achassem que eu queria tomar o lugar de uma delas", conjectura ela.

Etiene pediu demissão após sofrer com a exclusão de uma 'panela'

Para a gerente administrativa da Pan Chocolates, a panelinha prejudica tanto quem está fora do grupo como a própria empresa. "O funcionário não consegue se integrar completamente ao grupo, nem se adequar à cultura da empresa. Depois de um tempo, ele cansa dessa exclusão e pede demissão. A empresa é prejudicada porque perde o potencial do colaborador", declara Maria Fernanda.

De acordo com o professor do curso de Gestão de Recursos Humanos da Unicid, o próprio grupo pode sofrer as conseqüências da exclusão. "Geralmente, a associação desses grupos relaciona-se ao poder, à necessidade de buscar segurança", resume Franco. No entanto, ele afirma que a atitude pode provocar efeito inverso. "As fofocas e a exclusão que uma panela pode causar faz com que os gestores vejam esse lado negativo dos empregados, que perdem a chance de demonstrar bom desempenho", explica Franco.

Segundo Franco, o ideal seria que os funcionários procurassem se integrar. "Profissionais que se relacionam bem e conseguem interagir com indivíduos de opiniões diferentes demonstram capacidade de adaptação. Numa panelinha, ele deixa de mostrar seu talento e capacidade individual", alerta ele. Patrão afirma também que a participação em panelinhas pode colocar em xeque até uma possível promoção. "Os gestores preferem quem sabe integrar pessoas. Fazer parte de grupos fechados mostra que o profissional não se dá bem com todos os colegas e, portanto, não é prudente dar-lhe uma posição de poder", afirma o consultor de recursos humanos.

Maria Fernanda defende que a adaptação de uma pessoa nova na equipe e a ausência das panelas são coisas que dependem também do gestor. "Quando o líder pede que a área de recursos humanos procure alguém para uma vaga aberta, deve passar as características desejadas. Se o candidato não tem as habilidades pedidas, dificilmente terá bom relacionamento com o grupo", adverte ela.

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