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Mercado questiona IES sobre formação empreendedora


Thiago Renault e Rodrigo Carvalho estavam cansados da falta de espaço para a implantação de seus projetos na empresa em que trabalhavam. Por causa disso, resolveram criar, em 2006, sua própria empresa, que atua na área de gestão, inovação e desenvolvimento local. Como nunca haviam recebido treinamento empresarial ou preparação empreendedora durante a graduação, decidiram buscar, por meio de mestrado e doutorado, o conhecimento necessário para viabilizar seu negócio. Mesmo com o reforço acadêmica, a carência na formação empreendedora teve peso considerável na trajetória dos hoje empresários.

Renault afirma que foi muito difícil no começo, e que hoje ainda é, mas que em 2010 a empresa já estará estabilizada. "Não somos treinados para ser empresários, e por isso fomos buscar mestrado e doutorado na área em que atuamos." Renault fez mestrado em Engenharia de Produção pela UFF (Universidade Federal Fluminense) e doutorado na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e o sócio Rodrigo fez mestrado também em Engenharia de Produção pela UFRJ. "A partir do lado acadêmico surgiram novas idéias", diz ele.

É difícil precisar, e não há levantamento conclusivo sobre o tema, até que ponto a universidade deveria aumentar sua participação no ensino de empreendedorismo para os estudantes. Mas a falta de uma formação empreendedora já na graduação, carência que fez toda a diferença para os empresários, é alvo de críticas de parte do setor produtivo. Jefferson Luiz, gerente de recursos humanos da Pioneer do Brasil, afirma que dentro do cenário atual da empresa não vê os jovens profissionais apresentando ideias ou projetos inovadores que possam ser inseridos no ambiente de trabalho. "A Pioneer incentiva que os funcionários apresentem ideias e projetos, ou mesmo que tragam novas metodologias de trabalho para dentro da empresa, mas não percebo motivação empreendedora vinda dos jovens", declara ele.

Luiz acredita que as universidades deveriam implantar a disciplina de empreendedorismo em todos os cursos, para que assim os jovens pudessem chegar ao mercado de trabalho preparados para desenvolver projetos inovadores. "O jovem traz o aprendizado da faculdade e alinha com a parte prática do trabalho. Às vezes os funcionários podem não apresentar projetos por achar que talvez a área em que atuam não precise ser alterada", explica ele, numa referência a falta de iniciativa que enxerga entre os novos profissionais recém-chegados do Ensino Superior.

Ana Paula Sefton, gestora estadual do Programa de Educação Empreendedora do SEBRAE-SP, vai mais longe e defende que esse conhecimento empreendedor e inovador não deva ser aplicado somente no Ensino Superior, mas que isso deve vir desde o ensino básico. "O Sebrae apresenta projetos não só para o Ensino Superior, mas também para o fundamental e médio. É necessário aplicar essa ideia de empreendedorismo e inovação desde o começo da formação, e com isso trabalhar o comportamento do empreendedor e estimular o 'protagonismo juvenil'", afirma ela.

Para contribuir com o desenvolvimento do empreendedorismo na graduação, o Sebrae desenvolveu o chamado Sebrae no Campus. "Por meio da integração das universidades com o projeto, os professores são capacitados para ministrar aulas e estimular o empreendedorismo no meio acadêmico, trabalhando técnicas para desenvolvimento das características empreendedoras, com foco no aprimoramento profissional do jovem", explica a Ana Paula.

A Volkswagen do Brasil, por exemplo, oferece um programa de estágio para os universitários com o objetivo de suprir a carência que nota em relação à cultura empreendedora dos estudantes recém-chegados ao mercado. Uma das propostas é proporcionar aos jovens a chance de aplicar os conhecimentos adquiridos em situações reais de trabalho. "Fazemos com que um grupo de pessoas de cursos diferentes identifique projetos que possam ser implantados na empresa. Esses projetos são acompanhados pelos gestores e orientadores, e os melhores são apresentados à diretoria da empresa.", diz Raimundo Ramos, gerente executivo de educação corporativa da Volkswagen.

Ramos conta que quando o estagiário é selecionado, não é possível saber se aquele jovem tem algum grau de intra-empreendedorismo para incorporar à empresa, mas que, depois dessa preparação feita com os novos profissionais, os resultados dos projetos apresentados têm sido surpreendentes. "Muitos projetos foram colocados em prática pela Volkswagen, principalmente pela qualidade dos estudos feitos pelos estagiários. Eles recebem com tranqüilidade as responsabilidades e trabalham com muita desenvoltura no desenvolvimento do projeto", afirma ele.

O gerente executivo de educação corporativa da Volkswagen diz também que as empresas só conseguem trazer inovação se tiver pessoas capazes de aplicar projetos diversificados. "Acho que dentro do próprio curso, seja ele qual for, essas questões de empreendedorismo e inovação devem ser muito bem exploradas pelas universidades", defende Ramos.

De acordo com os dados apresentados pelo GEM 2008 (Global Entrepreneurship Monitor), 68% deles empreendem por oportunidade, ou seja, aqueles que começaram sua atividade para melhorar sua condição de vida ao observar uma oportunidade para empreender. Na outra ponta, 32% empreendem por necessidade, aqueles empreendem diante de uma necessidade, usam a iniciativa como ferramenta para o desenvolvimento.

Renault afirma que abrir um empreendimento é muito difícil. "Quando se consegue uma conta nova, você vai da euforia máxima a depressão em questão de horas, pois não sabe se vai conseguir entregar o projeto para a empresa". Por isso, ele ressalta a necessidade de formação e faz uma observação aos que pretendem embarcar numa jornada solo: não existe empreendedor sozinho. "Buscamos complementar competências para podermos atender às empresas em aspectos diferenciados. Além disso, tivemos muito apoio da família, inclusive em questões financeiras".

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