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IES buscam preencher lacuna na formação empreendedora


A universidade tem papel fundamental no ensino de técnicas e práticas empreendedoras. É o que defende Carlos Eduardo Negrão Bizzotto, presidente do conselho de administração do Instituto Gene e líder temático da Anprotec (Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores). Segundo ele, as IES (instituições de ensino superior) deveriam criar ambientes e projetos que estimulem o jovem nesse aspecto. Ele sugere que sejam criadas disciplinas ligadas a inovação e empreendedorismo e haja mais esclarecimento sobre os serviços prestados pelas incubadoras."O que eu tenho percebido é que os jovens chegam à universidade sem esse espírito empreendedor", critica ele.

A queixa de Bizzotto é compartilhada pelo mercado, que acredita que a universidade deveria se envolver mais na formação empreendedora. Bizzotto afirma que esse perfil empreendedor pode ser adquirido e que o estímulo deveria ser implantado desde o Ensino Básico. "Acredito que essa iniciativa deveria começar cedo, o que seria muito menos traumático, pois o jovem já pensa nessas questões e começa a ver que tem ambiente para novos empreendimentos. Depois ele aprende a parte técnica na universidade, e a partir disso ele vai para a prática. Quanto mais tarde for a relação do jovem com essas questões, fica mais difícil para ele começar a empreender", afirma ele.

Sérgio Mecena, coordenador acadêmico do Initia (Agência Incubadora da Universidade Federal Fluminense) acredita que existem alguns passos para desenvolver esse foco inovador no jovem. "O primeiro passo é que ele entenda que não existe nenhum bicho de cabeças em ser um empreendedor. O segundo é mostrar para ele as vantagens, benefícios e também as desvantagens, aí ele estará ciente da decisão de ser ou não um empreendedor. A partir dessa conscientização, ele passa a ver quais são seus objetivos", diz o coordenador.

Mecena concorda que é dever das universidades mostrar questões relacionadas a empreendedorismo para o jovem, por meio de atividades que obriguem o aluno a se envolver na criação de algum projeto, seja no fim do curso ou de uma disciplina. "Dessa forma você incentiva a prática do aluno nessas questões e ele adquire essa atitude de execução, além de obter capacidade de negociação para gerenciar seu empreendimento", defende ele.

Algumas instituições já parecem cientes desse papel e trabalham com pólos de incentivo e ensino de empreendedorismo. Existem instituições que auxiliam e apóiam na criação, no desenvolvimento e na consolidação de empreendimentos inovadores baseados nos conhecimentos científicos, tecnológicos e sustentáveis. O objetivo desses centros é fornecer aos empreendedores uma visão ética, social e legalmente responsável. Algumas universidades como, por exemplo, a Unesp (Universidade Estadual Paulista), a Universidade Mogi das Cruzes, Anhembi Morumbi, Unicsul (Universidade Cruzeiro do Sul), UNITAU (Universidade de Taubaté) e a USP (Universidade de São Paulo) oferecem conhecimento empreendedor e inovador aos seus alunos.

O Cietec/USP (Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia da Universidade de São Paulo) é uma das iniciativas que atua na área de formação empreendedora. "O Cietec recebe diversos tipos de empreendedores, desde aquele que visa a abertura de uma empresa para adquirir lucro, até aquele empreendedor social, que quer beneficiar a sociedade sem obter lucro", explica Sérgio Risola, diretor da organização.

Risola diz que nem todos aqueles que têm uma boa ideia ou um bom projeto têm viés para ser um empreendedor. "Existem algumas perguntas chaves que nos ajudam a detectar se a pessoa tem vocação empreendedora. Exemplos delas são: se ele tem experiência na área em que deseja atuar; está disposto a trabalhar mais de 12 horas por dia; gosta de se relacionar com as pessoas; quer de fato iniciar um negócio mais do que qualquer outra coisa e se ele tem recursos financeiros para investir ao longo do tempo", exemplifica o diretor.

Capacitação

Além de reconhecer o papel das universidades na formação empreendedora, representantes das IES admitem a necessidade de criação de um corpo docente capaz de atuar de forma adequada nesse processo. O Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) criou uma ponte com as universidades exatamente para buscar uma ferramenta de capacitação. No chamado Sebrae no Campus, professores são treinados para ministrar aulas e estimular o empreendedorismo no meio acadêmico. "São trabalhandas técnicas para o desenvolvimento das características empreendedoras, com foco no aprimoramento profissional do jovem", resume Ana Paula Sefton, gestora estadual do programa de Educação Empreendedora do Sebrae-SP.

Além do Sebrae no Campus, existem também outros dois programas que atuam nessa posição, o Jovens Empreendedores Primeiros Passos, voltado para o Ensino Fundamental, e o Formação de Jovens Empreendedores, para o Ensino Médio, cujo enfoque se dá no aprofundamento das vivências empreendedoras através do plano de negócios e do desenvolvimento dos comportamentos empreendedores.

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