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Investir na personalidade beneficia rendimento do funcionário

Fonte: Banco Real Grupo Santander

Não faltam teorias sobre como os profissionais devem pensar ou agir para atingir o sucesso na carreira. Há inúmeras recomendações sobre o que o atual mercado de trabalho espera e sob qual cartilha se deve rezar para conseguir uma vaga, um aumento de salário e até uma promoção. Quem busca informação sobre como proceder para ser bem-sucedido, fatalmente se depara com uma lista de competências indispensáveis, entre elas: foco no cliente, poder de negociação e orientação para resultados, além de características pessoais como: pró-atividade, motivação e espírito empreendedor.

Especialistas em comportamento e analistas de carreira, porém, chamam a atenção para um fator que, muitas vezes, é ignorado pelos profissionais, mas considerado determinante para o sucesso individual de cada um, o autoconhecimento. Na Grécia Antiga, Sócrates já filosofava "conhece-te a ti mesmo". Para eles, o que se propõe hoje é reavaliar esta idéia e aplicar teorias e métodos, a fim de mostrar às empresas e aos profissionais que nela atuam como sua personalidade pode ajudá-lo a obter o sucesso desejado.

Em seu livro "Relacionamentos" - como desenvolver relações saudáveis e equilibradas que farão a diferença em sua vida pessoal e profissional (Editora M.Books - 2004), o psicólogo e consultor de carreira, Gustavo Henrique Boog, cita quatro personagens. Segundo ele, eles são uma síntese de diversos autores sobre as personalidades que todo indivíduo possui em maior ou menor intensidade, são elas: Rei, Mago, Guerreiro e Amante.

Para o especialista, estes perfis exemplificam as características psicológicas observadas na teoria de personalidades de Hipócrates - filósofo grego que definiu quatro temperamentos: o melancólico, sanguíneo, fleumático e colérico - e também na teoria dos tipos psicológicos do consagrado psicólogo Carl Gustav Jung, no início do século passado.

Boog defende que não existe um só perfil que seja considerado o melhor ou mais adequado, inclusive para cargos de liderança. O que se observa é que a depender do perfil da empresa e do momento pelo qual ela passa determinada personalidade pode obter um resultado mais significativo. Isso foi visto na prática pelo consultor durante um workshop com 25 presidentes de grandes empresas do Rio Grande do Sul.

Empresas valorizam mapeamento

Grandes empresas estão atentas à relevância de conhecer o perfil de cada um de seus colaboradores de forma a utilizar seu quadro de funcionários para desenhar equipes de projeto cada vez mais bem-sucedidas, além de promover o autoconhecimento de cada indivíduo para que isso contribua para sua evolução profissional. O psicólogo da IDH, empresa de desenvolvimento humano, Péricles Pinheiro Machado Junior, diz que é grande o número de empresas que procuram a IDH para aplicar as ferramentas de avaliação tipológica como o MTBI (Myers-Briggs Type Indicator) - indicador de preferências pessoais - e o TMP (Team Management Profile) - indicador para ambiente organizacional -, em suas companhias.

Para as empresas, a ferramenta tipológica serve para conhecer melhor seu corpo de colaboradores e estabelecer equipes de trabalho e, dessa forma, aproveitar as características de cada um em prol de um resultado. Atitude que, na opinião de Machado, ajuda a fazer funcionar a engrenagem do trabalho em equipe.

"O fato de 10 pessoas trabalharem juntas, não faz disso uma equipe. Uma verdadeira equipe é formada a partir do momento em que se tem cooperação, interação, respeito, objetivos comuns e divisão de tarefas. Os diferentes atores de uma equipe de trabalho devem congregar características que apontem ser possível trabalhar nesse sentido. Para identificá-los, a tipologia é uma ferramenta eficiente", afirma o psicólogo.

As ferramentas utilizadas pela consultoria são fundamentadas na teoria das quatro inteligências de Jung e também procuram indicar as características psicológicas dos indivíduos. O psicólogo explica, no entanto, que o instrumento de avaliação não serve para que empresas selecionem os candidatos com base no perfil psicológico apresentado, até porque, ela não deve servir como fator excludente. "Embora a gente ouça que hoje o mercado valoriza quem é extrovertido, isso não significa que um indivíduo introvertido esteja fadado ao fracasso, ou seja, excluído do mercado," ressalta Machado.

Para ele, a teoria tipológica serve para desmistificar essa questão ao passo que um indivíduo pode deter as quatro inteligências e exercê-las em maior ou menor intensidade de acordo com sua preferência. No caso de uma pessoa introvertida, por exemplo, se houver treino, ele estará apto a exercer a competência de negociação, mas sua personalidade irá influenciar sua maneira de negociar tornando-a diferente da maneira de uma pessoa extrovertida fazê-lo.

"Há uma diferença entre característica pessoal e competência. Competência é algo que se pode desenvolver com treino. A característica pessoal é que vai determinar como cada um irá desenvolver determinada competência, o que não significa que um introvertido, por exemplo, seja incapaz de se comunicar com eficácia em relação a um extrovertido. Eles só o farão de maneira diferenciada. Por essa razão, consideramos até antiético utilizar as ferramentas tipológicas como método de seleção", alerta o psicólogo.

Segundo Machado, mais do que uma ferramenta corporativa, a avaliação psicológica serve para dar clareza ao indivíduo sobre sua personalidade e serve para seu aprimoramento. "O retorno dado ao profissional que fez a avaliação é importante não só para ajudá-lo a conhecer seus pontos fracos e trabalhá-los, mas para mostrar a ele como aproveitar melhor suas características mais determinantes, porque todas as características pessoais podem trazer resultados positivos, desde que se saiba utilizá-las", explica.

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