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Oportunidade para o crescimento sustentável


A pequena Tramppo desenvolveu um equipamento para reciclagem de lâmpadas fluorescentes, uma tecnologia 100% nacional capaz de retirar o vapor do mercúrio do tubo e separar o pó fosfórico, o vidro e o alumínio das lâmpadas. "A idéia é dividir o recolhimento das lâmpadas em diversos centros de reciclagem. Além disso, nada será resíduo de aterro e os materiais poderão ser reaproveitados pelas indústrias de diversas áreas", explicou uma dos quatro sócias da empresa, Elaine Menegon. O resultado da tecnologia é uma lista de espera de mais de 250 clientes, do porte do Hospital Albert Einstein, Petrobras, Infraero e Faculdade de Medicina da USP, além de possíveis parcerias já em negociação com uma gigante do ramo supermercadista e a prefeitura de uma cidade do ABC paulista.

A história acima poderia ter sido igual à de tantas outras micro e pequenas empresas que foram à luta por conta própria e quebraram a cara não fosse um pequeno detalhe: a empresa está em estágio de incubação e seu produto não foi sequer lançado oficialmente. A Tramppo é uma das 115 empresas atualmente hospedadas no Cietec/USP (Centro de Incubação Tecnológica da Universidade de São Paulo). Realidade disseminada em países que apostam no desenvolvimento tecnológico e no fomento à pesquisa, como Japão, Coréia do Sul, Estados Unidos, Canadá e União Européia, as incubadoras de empresas ganham cada vez mais espaço no Brasil, uma vez que qualquer empresário, desde que tenha uma idéia inovadora, pode contar com assessoria para estruturar seu negócio, viabilizar parceiros (clientes e investidores) e sair a campo tempos depois com chances muito menores de fracasso.

Dados do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas do Estado de São Paulo) mostram bem essa realidade. O levantamento mais recente, de 2004, indica que quase 30% das micro e pequenas empresas brasileiras não chegam a concluir o primeiro ano de atividade. A mortalidade é ainda maior - 42% - no segundo ano, ao passo que 53% encerram suas atividades antes do fim do terceiro ano. No quinto ano, 56% já fecharam suas portas.

Mas, no caso das empresas incubadas, a taxa de mortalidade cai praticamente pela metade. A importância destas é bem ilustrada pelos números do Sebrae-SP, já que o total de incubadoras apoiadas passou de 36, em 1999, para 76, até novembro deste ano.

Além disso, outras 30 empresas já foram graduadas ou mantêm sede própria fora das dependências da USP, apesar de, na prática, ainda serem associadas. "De 1998 para cá, foram 53 empresas colocadas no mercado, sendo que 45 ainda estão em atuação. Esse número é sintomático e é o nosso grande discurso. Após algum tempo, elas saem daqui com outra estrutura de gestão", afirma Sergio Wigberto Risola, gerente do Cietec.

A opinião é consenso. "O objetivo da incubadora é conceber uma empresa com genes de pesquisa e atitude empreendedora", defende José Alberto Sampaio Aranha, diretor do Instituto Gênesis, incubadora de empresas da PUC-RJ (Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro), que no último dia 12 lançou livro comemorativo aos dez anos de atividades da entidade. E os números são promissores. Das 63 empresas que passaram pela estrutura no período, 35 foram graduadas e já atuam no mercado.

Assim, as incubadoras também começam a redesenhar a relação entre universidade-empresa, com os primeiros exportando tecnologia e know-how para o mercado corporativo, um cenário em que o País sempre sofreu carência. Isso explica o boom desse segmento no Brasil. "Fecharemos o ano com aproximadamente 370 incubadoras espalhadas pelo País, segmento que cresce a uma taxa de 20% ao ano", calcula Risola.

Realidade diferente

As pesquisas sobre empresas no Brasil mostram que as razões que provocam o fechamento prematuro são as mais diversas: 31% do total, por exemplo, alegam que a falta de consultoria é um dos principais problemas detectados. Entram nessa lista, ainda, o comportamento empreendedor pouco desenvolvido, a falta de planejamento prévio, a gestão deficiente do negócio, a insuficiência de políticas de apoio e a conjuntura econômica deprimida. Situações essas que as incubadoras buscam contornar.

"A maioria das empresas vem despreparada para a incubadora. Muitas vezes um aluno ou docente vem direto da faculdade com um bom projeto de pesquisa científica, mas sem pensamento empreendedor. Uma vez aprovado, garantimos orientação sobre e para onde e como ele deve ir, bem como consultoria administrativa e jurídica", salienta Ana Maria Simões, gerente geral do Inova, incubadora de base tecnológica da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) que conta atualmente com oito empresas incubadas, nas mais diferentes áreas: biotecnologia, eletrônica, mecânica e de desenvolvimento de softwares. O Inova, explica Ana Maria, conta com um núcleo de planejamento tecnológico que busca fomentar os projetos através da pesquisa científica e viabilizá-los futuramente ao mercado. "Também temos um núcleo de oportunidades que orienta a empresa a conseguir parceiros ou participar de editais de fomento do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", completa Ana Maria.

Apesar das diferentes abordagens, os gerentes das incubadoras entrevistados para a reportagem foram unânimes em dois pontos: o primeiro é que todo e qualquer interessado em tirar do papel ou tubo de ensaio uma idéia surgida de pesquisa científica por meio de incubadoras necessita de algo realmente inovador. "Não buscamos mais do mesmo. Queremos um produto que realmente terá demanda do mercado ou que seja um possível substituto nacional para um item importado. Mesmo assim, com maior valor agregado", defende Risola. O segundo ponto é que, uma vez incubada, é vital à empresa estruturar um plano de negócios e metas, como faturamento, gerenciamento de contas, a quantidade de clientes que pretende contar em carteira, a melhor data para alocar o produto no mercado etc. "Nós ajudamos, mas a resposta tem de vir dos empresários", completa Ana Maria, do Inova da UFMG.

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