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Crescimento sustentável: um diferencial competitivo


Antônio Pulchinelli

É notável a criatividade brasileira para a música, dança, culinária e outras manifestações que tornam o nosso povo tão particular. No mundo dos negócios, isso não é diferente. E chega a surpreender as novas fórmulas encontradas por pessoas comuns para ganhar o pão de cada dia. Segundo pesquisa "Desafios da Inovação e Competitividade nas Micro e Pequenas Empresas", realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de São Paulo, 13 em cada 100 brasileiros exercem uma atividade empreendedora e fazem com que o Brasil ocupe a nona posição no ranking dos países mais empreendedores do mundo. 52% desse universo são compostos por mulheres, que desenvolvem alternativas para gerar uma renda adicional no orçamento familiar sem sair de casa.

Nos últimos anos, as iniciativas de próprio negócio têm caminhado para formalidade e a taxa de morte das empresas com menos de dois anos caiu de 71%, em 2000, para 56% em 2004. Isso mostra que os principais motivos para o fechamento de uma empresa, como falta de capital (25%) e dificuldades em gestão (11%), têm melhorado.  Entretanto, a mesma pesquisa do Sebrae-SP revela que 45% dos empreendedores não introduzem melhorias e inovações e que 36% não acompanham a evolução do mercado em que atuam. Esses são os maiores desafios para aquele que é pequeno e quer se tornar grande.

O crescimento sustentável de uma empresa deve estar alicerçado em três pilares importantes, habilidades técnicas - adquiridas no dia-a-dia do negócio, de gestão - através da capacitação constante e cursos de atualização, e, por fim, crédito - o capital necessário para viabilizar os projetos. Algumas instituições públicas e de terceiro setor já desenvolvem programas que oferecem aos pequenos empresários o conhecimento necessário para a expansão de seus negócios. O estudo também mostra que empresas que de alguma forma tenham buscado algum tipo de auxílio na gestão e maior qualificação têm taxa de mortalidade 30% menor.

Os dois primeiros pilares fornecem a base necessária para a concretização do terceiro. Com conhecimento técnico e de gestão, o pequeno empresário terá, por exemplo, condições de definir com clareza os públicos que deseja atingir, o que é fundamental para traçar as estratégias de mercado. Entretanto, o estudo mostra que 83% das empresas pesquisadas não têm segmentação de cliente. Além disso, o empreendedor será capaz de construir melhor seus objetivos, traçar os planos de ação para alcançá-los e mensurar a quantia necessária para fazer a idéia sair do papel e ainda obter o retorno previsto. Feito isso, o próximo passo é crédito. As instituições financeiras têm maneiras de financiar, entendamos como capital para viabilizar essa expansão, mas precisam entender melhor e analisar de maneira diferenciada um novo negócio. No entanto, não é um recurso ilimitado e conseguirão o financiamento aqueles que apresentarem a proposta mais madura e viável.

Um fator importante para a obtenção de crédito é o relacionamento que a empresa desenvolve com o banco ao longo de sua caminhada. O potencial de retorno, a capacidade de cumprimento dos prazos são fatores levados em conta na hora da decisão. Muitas vezes também, o gerente passa de administrador financeiro para consultor de negócios, auxiliando e orientando o empresário. No passado, esse adicional do bancário não seria relevante. Mas com o crescimento da concorrência, torna-se um diferencial para a conquista e manutenção de novos clientes. Além disso, a convivência com outras iniciativas bem sucedidas proporcionam aos bancos o know how necessário àquele que está começando a trilhar o caminho.

Hoje, a adoção de práticas sustentáveis é diferencial competitivo no mercado. Algumas medidas adotadas pelas grandes corporações também são aplicáveis nas pequenas, mas nem sempre o empresário sabe como realizar. Assim, ainda segundo o Sebrae, 61% das empresas pesquisadas não adotaram medida alguma para conter o consumo de energia ou água, em 2005 e em 2006, 48% desconhecem os impactos de suas atividades no meio ambiente, 76% não estimulam seus funcionários a ajudar o próximo e 55% não realizam nenhuma ação social.

Dessa forma, não só as empresas devem procurar as instituições financeiras para crescer, como também os bancos têm capacidade de identificar em sua carteira quais são aquelas com potencial, e que apenas precisam de um incentivo para serem maiores. E ainda desenvolver parcerias que possam complementar e estruturar melhor o negócio para o novo passo. Trabalhar dessa forma contribui para a formação de empresas mais sólidas e mais cientes de seu compromisso com sociedade.

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